Sim. É o quarto e último capítulo da série, demorei a voltar, mas não poderia deixar uma história sem final, não é mesmo? Vale a pena.
1º ato: Mela o dia
Tesoura corre. Esconde-se. Sempre passa por cima de Papel e, como sempre, ele suporta o fardo. Tesoura reflete:
Minha vida não se basta em sonhos
Sonho bastante com a sonhada vida minha
Sondo minha vida com bastão de esperança,
que lança vida minha na bastilha
Papel retruca:
Prezado, como vi-te solitário
só aceite meu convite
Convida seu sonho mais próximo
com vida faz, se preciso...
com vida faz-se preciso
com vida faz ser preciso
Tesoura sorri para Papel, beija-lhe a mão e diz:
_Querido, esqueça seu sonho remoto. Viva com controle. Vá! Procure seu rumo.
Papel decepciona-se com a recusa, mas não se abate porque as respostas hão de chegar.
E fica por perto à espreita.
2º: Ex ternamente bem
Tesoura dá um longo suspiro.
Decide-se ser racional, mesmo que isto custe sua personalidade, mesmo que isto custe seu caráter, mesmo que isto custe-lhe seus sonhos.
Logo cai algo em cima de tesoura.
Era novamente a Pedra, só que está leve, com áurea de sonhadora, brilho nos olhos, vontade demais de mais e mais. Começa o diálogo entre as duas. Pedra diz:
_ Olá. Vejo que se feriu, é isto mesmo?
_ Imagine, senhorita, eu aguento a mais pesada avalanche.
Papel não se contem e diz:
_ Sua mentirosa!
Os dois olham, mas papel consegue esconder-se. Pedra prossegue:
_Você é muito esperto e corajoso. Você gostaria de me arrumar para o baile da pedreira? Você também poderia buscar os meus sapatos? Eu também preciso de retocar as minhas bordas.
Encantado pela presença de Pedra, que nunca deu a ele atenção, tesoura aceitou, ainda que não renunciasse a seu novo estilo racional.
Tesoura começa os trabalhos.
Papel diz:
_ Tola! Diz-se guiada pela razão, mas veja que cena lamentável de se ver.. idolatrando uma pedra.
3ª parte: A dez pedida
Tesoura trabalhou muito, está exausta. Pedra não lhe deu tempo para Tesoura se arrumar para o baile e as duas marcaram de se encontrar ao lado do riacho.
Tesoura chega totalmente desgastada.
Pedra a fuzila com o olhar:
_Como posso comparecer à sociedade com um objeto neste estado? Sem capacidade de dizer não aos meus caprichos, sem capacidade de dizer sim aos seus desejos. Livre-me, oh São Pedro, dessa gentalha, busque alguém com capacidade de me encarar.
Neste momento Papel surge por de trás da mata, encobre a Pedra e diz fatalmente:
_Chega deste teatro. Chega desta brincadeira. Será que você não vê que não é bem-vinda entre nós? Quem é você que ousa pedir prioridades? Há algo na vida que vale mais que vaidade e aparências. Descubra!
Papel atira-se com a pedra no riacho. A pedra fica presa no fundo, sem capacidade de ver o mundo novo. Papel está lá, desmanchando em pleno riacho, teme que suas escritas apaguem-se em meio a correnteza.
Permanece a tesoura sozinha somente.
Apaga-se a luz.
Desliga-se o som.
Fecha-se a cortina de sua vida.
Volta-se ao foco, a tesoura mexe em sua pesada bolsa, dentro havia aquele pedaço do Papel que ela a havia roubado. Nele estava escrito primeiramente uma frase de Antoine de Saint-Exupéry "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
Embaixo palavras do próprio papel:
_O segredo da convivência duradoura entre papeis e tesouras sempre foi a cola Mor. Diante de qualquer corte, comum em um relacionamento entre espécies tão diferentes, esta cola tem o poder de solucionar nossos problemas. Agora a fábrica está em crise e como eu posso manter o relacionamento sem ela?
Neste momento acaba o fragmento de papel.
Tesoura conclui:
_Por isso o Papel estava se esforçando tanto, ele queria a cola. A falta dela fez acabar com a nossa relação. Se eu procurasse feito ele, não haveria... Ah, o que tem nesse armário?
Ela não percebeu antes, mas no final há uma anotação sem aparente motivo: Armário esquerda fundo 97208
Tesoura procura. Há um cofre dentro do armário, trancado, com senha. O código só podia ser aquele escrito no mesmo pedaço de papel.
Isso. Ela abre e descobre um estoque grande do produto tão desejado pela Tesoura, dentro havia a mensagem deixada também pelo Papel:
_Isto é tudo seu. Não me importo o que você faça com o meu estoque. Eu só quero dizer que valeu a pena toda a cola que eu pude comprar devido ao meu esforço. Era difícil te vigiar, me preocupar tanto com seus passos. Sim, você ignorava minha presença. Sim, desfazia-se do meu apreço por você. Agora eu deixo em suas mãos. Jogue fora. Despreze. Faça o que quiser. Não me importo os fins, mas que saiba que tudo aquilo foi verdade, tudo aquilo eu senti. Siga seu caminho, Tesoura. Ame!
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Faça você mesmo
sábado, 3 de maio de 2008
O labirinto
Tesoura corre.
Avista uma construção de grandes proporções, como um galpão, inteiramente fechado, sem janelas. Havia uma fenda na parede, por onde a tesoura pôde entrar.
_ Ufa! - Respira a tesoura ofegante.
_ Acho que posso ficar por aqui mais alguns instantes, horas, dias...
Olha a sua conquista e pensa:
_ E agora o que eu faço com esse papel? Pode parecer leve e inocente, porém é pesado feito uma bigorna.
Fixa nos olhos do papel e diz:
_ Não há nada que eu possa fazer com você. Foi bom te conhecer. Hasta la vista! Bye Bye!
A tesoura arremessa o papel para trás. Ela não percebe, mas o papel tocou a parede e voltou dentro da sua bolsa.
Tesoura anda pela passagem.
_ Onde está a saída deste lugar? Oh, Céus! Isso parece um belo labirinto. Eles são lindos na ficção, mas agora não estou me divertindo. - reclama a tesoura.
2° ato: Percurso da Pedra
Pedra, ainda dentro do rio, faz um pedido:
_ Aqui pode estar tudo legal, mas eu quero mais emoção! Emoção! Emoção!
O rio ouve, o percurso muda e os dois caem em uma catarata.
Destino da queda-dágua: dentro do labirinto.
_ Uh! Uh! Isso foi muito bom. Vamos continuar, meu rio. Nossa vida não pode parar!
Depois do clímax vivido pela Pedra, ela segue seu rumo dentro do labirinto, só estranha:
_ Este caminho está tortuoso demais. Toda hora deparo com um obstáculo. Espero que isto acabe já!
Rio e Pedra ainda perdidos dentro do labirinto.
3° ponto: O (des)encontro
Papel corre.
Também acha a fenda na parede do labirinto.
Entra.
Procura a Tesoura.
Depois de algum tempo, Papel acha a própria.
_ É hoje que eu acabo com esta tesoura maldita. - ameaça ir ao encontro dela, mas não.
Acho melhor ficar aqui, de longe, de leve. Observando, esperando... Odeio esperar! Mas vamos, Papel! A recompensa é grande. - fala consigo.
De fato é, a recompensa é o meio do papel levar sua vida sem se machucar. Ele está frágil.
_ Bem, vou segui-la. Uma hora Tesoura estará em uma emboscada. E quem irá salvá-la? Eu! Eu serei o lobo-mau e ela... Chapeuzinho Vermelho! (ri) Tomara que ela tente me retribuir de alguma forma.
Tesoura faz um caminho irregular.
Nunca segue em frente.
Acha algo perigoso e foge. Nota algum sinal de alguém que se aproxima e corre.
_ Por que não encontro outra no meu caminho? Não aguento mais encontrar esta Pedra molhada. Será possível?! Aonde quer que eu vá, só tem ela. Ela. Ela. Mas não só ela. Quem dera se fosse só ela. O rio está com ela.
Espécie de Informativo:
http://morrodopoder.spaces.live.com/blog/cns!A30363E848407384!270.entry
terça-feira, 22 de abril de 2008
2° capítulo: (im)possibilidade da convivência feliz
1° caso: Como pedra está?
Pedra rolou, saltitou, brincou
leia-se também feriu, caiu
e isto não é reflexivo.
Agora está deleitando-se no rio
não quer saber para onde ele vai
acha que está feliz
As águas barrentas cobrem-na de ver
qualquer outra possibilidade de mudança
ou novidades
Para que ela quer um mundo inteiro
se apenas seu ambiente a faz sorrir?
Um dia o rio pode secar
o curso mudar
e precisar da Tesoura
ou até mesmo do Papel.
Isso só o tempo dirá.
2ªa experiência: Papel + Tesoura
Papel escreve em si.
Papel diz:
_ Isso ficaria bom!
_ Isso é agradável!
_ Vou tirar esta vírgula!
_ Esta afirmativa é muito definitiva!
_ Assim está perfeito. Tenho todas minhas recordações guardadas. Posso não ser muito feliz, mas meu lifestyle é o american dream.
Enquanto isso, tesoura fica sozinha.
Não está preocupada com belas recordações,
mas sim, com grandes finalizações,
acabamentos, retoques
e preferencialmente
quando ela tem o final feliz.
Tesoura reflete:
_ Há esta Pedra no meio do caminho. Vou quebrá-la.
Tesoura segue em direção à pedra. Quando chega perto dela, visualiza ela sendo levada pelo rio.
_ Será que ela nunca existiu? Para mim era tão real.
Atrás da Pedra havia Papel.
Tesoura aproxima-se e diz:
_ Oi Papel!
Papel demonstra interesse.
Tesoura em um impulso corta o Papel. Pega a parte cortada e corre.
Papel chora, dramatiza, ao mesmo tempo, se encontra.
_ Todas minhas recordações. Toda minha vida. Tudo foi levado por aquela bendita Tesoura. Agora o que vou fazer? Tudo o que eu preciso é dela. Ela é minha vida. É meu objetivo!
Papel torna-se oniciente e finaliza o episódio:
_ Oi! Acho que dos três, eu tenho mais consciência dos meus atos. Sou o único que me reencontrei dentro de mim. Pedra segue em frente rumo a... nem sabe o quê. Tesoura é o vazio em pessoa, sente-se bem por ter um pedaço meu, mas o que ele queria mesmo era o mínimo pedregulhoso que fosse, sendo que fosse inteiro, de corpo e alma.
Agora eu... estou indeciso, impaciente, distraído. Apesar disso, estou tranquilo. Não estou completo, mas eu sei o que me falta.
E você sabe o que te falta?
domingo, 20 de abril de 2008
1/epílogo =
1° Estágio: Chama-se introdução
Papel era certamente alguém
vivia, saía, voltava, sorria, angustiava
Momentos
sua palavra favorita
Duração
até quando durar o conteúdo
Limite
uma segunda-feira, se existir
Amor
Já estive apaixonado várias vezes
pelo menos faço crer que sim
isso é fácil
ninguém sabe o que é o amor
se eu digo que sim, assim será
2° Ato: O que é a tesoura
Oi, meu nome é tesoura
Acho que tenho maturidade para me apresentar
eu sou alguém interessante
legal, bonita, brilhante
não choro
Já consegue imaginar como eu sou?
[Platéia aperta botão vermelho. Significa: Não]
Desculpa!
Acho que não me conheço muito;
[Tesoura sai de cena em prantos rosto desfigurado totalmente fosca aparência desgastante]
3° Capítulo: Cai a Pedra
Pedra volta ao rio
este é seu lar
está feliz por isso
Como ela conseguiu?
Flash-back, please:
Tum!
Tac!
(som da pedra ao quebrar a tesoura)
Pedra diz:
_ Oh, desculpa! Não te vi aí embaixo!
Pedra pensa:
_ Adorei ser amortecida! Nem doeu!
Pedra rola calmamente até o rio
F.I.M.
